terça-feira, 8 de julho de 2014

Lágrima

O meu rosto treme. 
Descendo por ele, 
uma lágrima. 
Pesada. 
Forte. 
Queimando na sua descida. 
Soltando de mim a tristeza acumulada. 
Alívio? 
Talvez. 
Por soltar a tristeza de mim. 
Desanimado?
Pois com ela, 
sais também tu mais um pouco de dentro de mim. 
Tento armazenar-te. 
Sofrer-te sem esquecer-te. 
A lágrima expulsa de dentro de mim, 
como sinal de partida. 
Devo deixar-te sair, 
voar, 
para que eu possa viver. 
Viver livre sem ti a prender o meu pensamento. 
O ardor da lágrima, 
estes centímetros de rosto, 
este seu pequeno trajecto que parece não ter fim. 
Lágrima salgada que desagua nos meus lábios,
recordando os beijos trocados. 
Lágrima inocente, 
pura e ardente. 
Escorres pelo meu rosto e tatuas a tua passagem na minha alma. 
Vai. 
Voa em direção à felicidade. 
Lágrima perdida, 
lágrima fugida, 
lágrima sofrida.
Nuno Miguel Miranda