sexta-feira, 19 de maio de 2017

DEIXA QUE SE ALASTREM

Abre os portões...
Permite que flores se alastrem...
Nem tudo pode ser defesa e campo minado.
Tu te preparas para o tornado, 
mas é Zéfiro quem se aproxima.
Olhas por cima do muro, de armas engatilhadas...
Sem as lentes, que dizem tudo, 
o que os olhos, de fato, veem?
Tira as lentes dos pretos e prateados.
Vê, no brilho dos metais, as cores; 
na ameaça das armas, as flores
e as sementes de Zéfiro: 
o ambiente propício à harmonia e ao amor.
Elas vem apaziguar a criança que, 
outrora atacada por todos, 
encolhe-se atrás das trincheiras
preserva-se das besteiras do hoje, 
temendo as baixas das guerras do ontem.
O tornado é passado. 
Planta os pés no presente.
Deixa o tempo passar...
Eles estão surdos. Não escutam os teus gritos.
Eles não atacam. Abaixa, tu, os escudos.
Aposenta as armas...
É preferível investir em calhas.
Cuida dos telhados, sem confusão.
Às vezes, gotas de água soam como granizos...
Espera a chuva passar. Espera de guarda-chuva.
Estrondos de raios nas nuvens parecem bombas, 
mas não é guerra. Acalenta a criança.
Espera o sol...
Espera o sol...
O sol acima das nuvens guarda a tua luz.
Nem tudo precisa ser tormento e cruz.
Acalenta a criança. Aposenta as armas.
Tira as lentes escuras e metalizadas.
Deixa a luz ofuscar os teus olhos sombreados 
de guerras e tornados de tempos passados.
O medo nos faz cerrar a alma, eu entendo.
Erga as persianas...
Deixa que as janelas conduzam as brisas e as sementes 
para a alma, através da mente, 
para, na alma...
... quem sabe?
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conforme artigo (Lei 9610/98)
Ilustração: Arilton Flores