quarta-feira, 11 de outubro de 2017

No Reino do Samorim

Cercado de muitos pajens e jovens súditos indianos,
Senta-se garboso no seu trono de veludo vermelho
O Imperador Samorim, junto à sua adaga de prata.
Uns lhe oferecem cachos de uvas rosadas, enquanto
Outros lhe trazem vinho púrpuro em taças de ouro,
E assim se inebria com as elegias clássicas recitadas.

Nesse recinto real surge uma atraente presença feminina,
A envolvente Naja, muda de nascença, que por ventura, 
Tem o dom de falar com os olhos negros e penetrantes.
Os homens, vestidos em seda e coloridos turbantes retorcidos,
Abanam o imponente Samorim com seus enormes leques
De penas de pavão, porém, 
sua atenção só é voltada para ela.

Ao som de cítaras, banjos e bandolins, 
Naja começa a dançar, 
No luxuoso salão de festas, 
ao perceber os sinais do soberano. 
Vestida de escarlate transparente, 
meneia-se lasciva, doce e, 
Desliza mansa, num vai e vem, 
quando seus braços se contorcem, 
Num balé de suaves movimentos ondulantes, 
feito duas serpentes,
Sob o olhar atento do Samorim, 
que se fixa nessa bela imagem. 

Os minutos escorrem devagar, 
e ele lhe pede para cessar a dança.
Naja se aproxima, senta-se aos seus 
pés e o envolve com seu olhar.
O Imperador se curva, 
toca suas madeixas negras e lhe segreda:
“Luz dos meus olhos.” Embevecido, 
estende-lhe a mão e a acaricia.
Sinaliza ao seu séquito para que saia do salão, 
deixando-os a sós.
Uma tarde de amor se estende até a noite, 
num mar de sedução...
  
Autora:  Marina Monacelli   
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